Você conhece o que te deixa ansioso ou ansiosa?

Atualizado: 13 de Jul de 2020

Em seu dia a dia, você sabe de fato o que te traz ansiedade? E por que isso é importante?


Nesse post, vamos conversar sobre a importância de estabelecer uma relação de maior consciência e intimidade com sua ansiedade, como um passo fundamental para manejá-la e ter maior calma e equilíbrio em sua vida.



Você conhece a ansiedade, certo? Reconhece quando ela está presente, como ela impacta em seu corpo, sua mente, quando ela vem acompanhada de outras emoções como por exemplo medo e angústia.


Ou será que só percebe quando ela já está mais intensa, e essas sensações físicas e emocionais são mais fortes?


Estabelecer uma relação de intimidade com a ansiedade não é uma jornada muito fácil, mas muito necessária. Para que possamos fazer as pazes com a mente ansiosa precisamos conhecer com clareza como ela é, como ela nos impacta... É importante lembrar também que mesmo sem nem perceber, a alimentamos. Precisamos encarar de frente aquilo que nos prejudica se quisermos fazer qualquer transformação em nossas vidas, mas não precisamos fazer isso com dureza ou seriedade. O que quero te convidar a fazer é começar a desbravar esse universo mas como um grande aventureiro de si mesmo, com abertura, gentileza, coragem e – porque não? – uma pitada de brincadeira? 😊


Nesse post eu quero lançar essa sementinha de reflexão, e de maneira gradual, pouco a pouco ao longo das postagens, vamos avançar nessa conexão com a própria ansiedade. Por hora vamos começar do começo. Vamos dar um passo atrás e reconhecer o que traz ansiedade, onde ela inicia? Quais são os meus gatilhos para sentir ansiedade? Acima de tudo, compreender como nossa mente reage de maneira automática, condicionada, diante desses gatilhos


Os gatilhos podem ser internos, como por exemplo estados emocionais e sensações (por exemplo, já se sentir mais agitado naquele dia, ou mesmo cansaço, raiva, tristeza, euforia...) ou externos como por exemplo excesso de trabalho, conflitos com outras pessoas, problemas de saúde, etc.


E então, diante desses gatilhos, nossa mente rapidamente interpreta, disparando uma série de pensamentos. E como nossa mente é muito esperta, e procura “as vias mais rápidas e curtas” até mesmo para poupar energia, ela vai seguir alguns padrões, alguns condicionamentos, e repetir esses padrões. E esses pensamentos não vem sozinhos, eles vêm acompanhados de sensações no corpo e de emoções, formando uma tríade importante.


Por exemplo, se temos um pensamento como uma lembrança de um momento feliz, podemos sentir a emoção de felicidade ou alegria (até mesmo uma pontinha de saudade), e uma sensação de abertura e calor na região do peito. Se temos um pensamento mais depreciativo podemos sentir um aperto no peito ou pontada no estômago e uma emoção de tristeza.


Assim, a mente desenvolve alguns “modus operandi”, aplicando essa mesma forma de ser para tudo. Quanto mais no automático estamos, mais nos deixamos levar e menos percepção desse processo temos.


Vamos pensar em alguns exemplos que costumam gerar ansiedade nas pessoas: excesso de trabalho com a famosa frase “não vai dar tempo”; alguma situação relacionada à perigo com a famosa frase “e se acontecer alguma coisa”; alguma situação de exposição e desafio como por exemplo ter que apresentar uma palestra ou fazer uma prova com a famosa frase “e se eu falhar”? Isso tudo traz sensações no corpo e emoções desconfortáveis e, logo entendemos: temos que resolver para fazer passar.


E aí qual é a maneira que sabemos fazer isso? Entramos no nosso modo “cientista-detetive”: comprovar que nossa mente está certa, alerta para todas as pistas, todos os indícios para confirmar nossa teoria! E então passamos para o modo “planejador-esperto”: traçar todas as rotas possíveis para resolver esse problema, nos antecipar de todas as possibilidades para não ser pegos pela surpresa. Para então entrar no modo “executivo-faz tudo”: hora de botar nosso plano em ação! Fazer tudo que precisa ser feito para enfim resolver (ou evitar) esse problema. E UFA, aí sim podemos sentir tranquilidade e paz!


Mas opa, até a próxima situação, não é mesmo? Às vezes já até começamos a antecipar a próxima situação sem ela nem acontecer direito e já entramos nessa mesma dança. Percebe aqui uma das formas que alimentamos a ansiedade?


E essa tríade pensamentos-emoções-sensações vai se retroalimentando, dando ainda mais a percepção de concretude do que estamos vivendo. E assim o desgaste, estresse e sofrimento diante dessa situação vão se intensificando. Desse lugar, reagimos, às vezes até de forma mais impulsiva, numa grande tentativa de fazer passar. Ter alívio.


Mesmo quando tudo passa por interpretações da nossa mente! E se pudermos olhar para a situação sem esse véu, com abertura, gentileza e curiosidade para o que de fato está presente? Talvez possamos reconhecer que são pensamentos e interpretações, tendo assim algum distanciamento para observar tudo isso com clareza, e encontrar um lugar mais seguro e confortável para simplesmente nos acolher, oferecendo algum cuidado diante disso que está presente.


Aliás, se a gente parar para pensar, essa forma de funcionar da nossa mente na verdade é algo maravilhoso, muito bonito. Nossa mente tem uma capacidade incrível de resolver problemas, de analisar, refletir, planejar... É altamente criativa! Se temos energia elétrica é por conta disso, se temos tantas inovações é por conta disso. E você agora deve estar se perguntando: e isso não é bom? Não é importante que possamos analisar tudo, pensar para resolver os problemas?


E a resposta é simples: sim, claro que é. Para as coisas “resolvíveis”. O problema começa quando aplicamos essa fórmula para tudo, incluindo emoções e coisas não resolvíveis. Mais ainda, no caso da ansiedade, para coisas que sequer aconteceram, ou sequer tem chance de acontecer, mas nossa mente entende que sim a acreditamos cegamente nessas interpretações.


E se pudéssemos ficar “com a parte boa” do planejamento, das ideias, mas partindo de um lugar de discernimento e tranquilidade, distanciado desses pensamentos, ao invés de partir do medo e da preocupação? E se pudéssemos tomar consciência de que nossa mente está fazendo o que ela aprendeu a fazer, mas não se deixar levar por ela? Ao contrário, olhar para ela com generosidade, curiosidade, gentileza. Simplesmente percebendo como ela impacta em nossas sensações e emoções com abertura?


Seria como falar para si mesmo “Ok mente, eu te percebo, vejo que está dando o seu melhor. Mas está tudo bem, nesse momento essa reunião ainda não começou e estamos apenas planejando, nos preparando. Está tudo bem.”


Para isso, é fundamental treinar nossa atenção a voltar para o momento presente, de maneira acolhedora, curiosa, aberta e gentil. As práticas de meditação em mindfulness treinamos ajudam muito a desenvolver essa habilidade. É estar presente e perceber o que de fato está acontecendo nesse momento, acolhendo com gentileza. Ao fazer isso, podemos desenvolver o espaço que nosso cérebro precisa e assim, criar o distanciamento necessário dessa reação toda, podemos finalmente dessa forma ter escolhas mais habilidosas!


Ao tomar consciência de que a ansiedade ou qualquer outro desconforto surgiu, podemos nos perguntar: o que está aqui de fato comigo? Observe com atenção plena. “Hummmm, percebo ansiedade! Hummm percebo pensamentos de medo! Hummm, percebo preocupação! Hummmm olha que interessante, percebo que ao ter pensamentos de preocupação, meu coração dispara um pouco!” É possível acrescentar um temperinho de gentileza e não julgamentos nessa observação?


E a partir desse lugar de consciência, o que preciso fazer para cuidar de mim?


Esse, para mim, é o ponto mais importante e bonito. Desenvolver a maestria sobre si mesmo, seus limites e sobre o que pode oferecer de cuidado para si mesmo. Pode parecer impossível tudo isso que estou sugerindo, mas acredite, não é. Vejo isso acontecendo com muita frequência nos atendimentos, e em meu próprio processo. Precisamos nos dar uma chance de tentar algo novo, encontrar “novas rotas mais assertivas de funcionar”. E até se desafiar para testar se isso realmente faz sentido na sua nova experiência!


Se queremos mudar algo em nossas vidas, e ter novas formas de ser, também precisamos dar espaço para esse novo surgir, e nos dedicar para isso. Colocar intenção e energia de maneira afetuosa, leve, mas como uma sementinha, que precisa ser cultivada dia após dia.



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